A Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação sobre a conduta da Polícia Federal na elaboração de um relatório de duzentas e dezoito páginas que expôs mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O procurador-geral Paulo Gonet encaminhou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando esclarecimentos sobre o caso.
No despacho, Gonet aponta que a ordem para aprofundar a investigação sobre as mensagens de Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, mas teria sido ocultada do Ministério Público. O chefe da PGR notificou formalmente a Polícia Federal para que esclareça se houve ordens externas que tenham comprometido a integridade do documento.
O procurador sustentou que qualquer ato investigativo direcionado a ministros da Corte depende de autorização prévia do plenário do STF, reforçando a tese de nulidade dos procedimentos determinados de ofício por André Mendonça. Gonet enfatizou a necessidade de respeitar o rito legal estabelecido para investigações envolvendo membros da mais alta corte do judiciário.
O relatório também expõe mensagens nas quais o próprio procurador-geral é citado em tratativas de aproximação com Daniel Vorcaro, incluindo menções a um evento em Londres financiado pelo banqueiro. A investigação da PGR busca apurar as circunstâncias em que o documento foi produzido e se houve irregularidades no processo.




