A fadiga da fertilidade é o esgotamento emocional, físico e psicológico que surge ao longo dos tratamentos de reprodução assistida e que, em alguns casos, pode levar casais a interromper o percurso antes de esgotarem as possibilidades clínicas. A literatura indica que cerca de 41% das mulheres em tratamento apresentam ansiedade e 42% apresentam depressão. Nos casais que procuram tratamento, a prevalência de depressão varia entre 15% e 54%, e a de ansiedade clinicamente significativa entre 8% e 28%. Os momentos de maior distress concentram-se na punção folicular e na espera pelo resultado do teste de gravidez.
A pressão para "fazer tudo corretamente", a sensação de falha do corpo, o medo de perder a janela de oportunidade e a exaustão de conciliar consultas, medicação e trabalho contribuem para este estado de fadiga. Cada ciclo tende a ser acompanhado por esperança e, por vezes, frustração, criando um ciclo constante de stress emocional.
O descanso estratégico deve integrar o plano terapêutico e inclui não apenas sono, mas também pausas intencionais, momentos de lazer, redução da sobrecarga laboral e espaço para o casal se reconectar para além do objetivo do projeto parental. As férias funcionam como uma estratégia que permite reduzir a ativação constante do sistema de stress, quebrar o ciclo esperança-frustração e reforçar a relação do casal, permitindo decisões futuras com maior clareza e pragmatismo.
O artigo reforça que fazer uma pausa temporária nem sempre significa comprometer o processo. Em conjunto com a equipa de profissionais que acompanha o casal, é importante avaliar o bem-estar emocional e discutir a possibilidade de pausas estratégicas. O descanso pode ser uma decisão clínica e de autocuidado, não um sinal de desistência.




