A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, assumiu esta sexta-feira que os 144 mil euros pedidos para destruição de químicos pela Polícia Judiciária abrangiam mais processos do que apenas o do atrelado apreendido na Operação Pacoba, recusando reconhecer qualquer contradição com as declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves. A governante disse não ter ainda informação tão detalhada quanto gostaria sobre o assunto.
À margem da cerimónia de tomada de posse de 107 novos conservadores em Lisboa, Rita Alarcão Júdice comentou a conferência de imprensa de Luís Neves, na qual este afirmou ter decidido entregar o atrelado à empresa Construbarcelos após ter recebido um orçamento de cerca de 150 mil euros para a destruição dos químicos, valor que a PJ não podia suportar. A ministra disse não comentar as declarações do colega e que se limitou a facultar as informações que recolheu.
O caso do atrelado com químicos apreendidos é uma das polémicas que envolvem os mandatos de Luís Neves à frente da PJ. Por decisão do atual ministro, o atrelado foi entregue a um empreiteiro de Barcelos, João Carvalho, de quem Neves reconheceu ser amigo e que ganhou 17 empreitadas de obras na PJ, além de ter sido contratado por Neves para obras pessoais numa propriedade sua em Odemira.
O caso é atualmente alvo de um inquérito criminal pelo Ministério Público, um dos três que envolvem Luís Neves, confirmou o procurador-ger al da República, Amadeu Guerra. Estão também em curso auditorias à PJ que abrangem o período em que foi liderada por Neves, incluindo uma auditoria interna pedida pelo seu sucessor, Carlos Cabreiro, e outra conduzida pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça, cujas conclusões a ministra espera até ao final do ano.




