A indústria automóvel europeia atravessa uma transformação profunda, impulsionada pela eletrificação, pela concorrência asiática e pela necessidade de reduzir custos. A revista económica alemã WirtschaftsWoche avançou, com base num documento confidencial preparado para o Conselho de Supervisão da Volkswagen, que a marca SEAT poderia desaparecer até ao final de 2029, com a produção dos atuais modelos a terminar progressivamente e os recursos concentrados na CUPRA. Contudo, a própria empresa veio esclarecer que nenhuma decisão final foi tomada e que a marca continua a ser uma parte importante da companhia, possuindo um plano de produto definido para os próximos anos.
A SEAT confirma que continuará a desenvolver os lançamentos e atualizações já planeados, incluindo novas versões híbridas ligeiras do Ibiza e do Arona, previstas para 2027. O problema surge no ciclo seguinte de produtos, pois as regras ambientais cada vez mais exigentes, os custos da eletrificação e o investimento necessário para criar uma nova geração de automóveis elétricos tornam mais difícil justificar novos recursos na marca. A empresa garante, contudo, que continuará a cumprir os compromissos assumidos com os clientes, incluindo assistência, garantias e fornecimento de peças.
A CUPRA, criada como marca independente em 2018, tornou-se o principal motor de crescimento e rentabilidade da SEAT S.A., tendo ultrapassado um milhão de automóveis vendidos desde o lançamento. Em 2025, a CUPRA entregou 328.800 veículos, mais 32,5% do que no ano anterior, enquanto a SEAT vendeu 257.400 unidades, uma descida de 17%. A estratégia até 2030 passa por desenvolver o potencial da CUPRA e aumentar a sua presença no mercado europeu.
A empresa distingue claramente o futuro da marca SEAT do futuro da SEAT S.A., que controla tanto a SEAT como a CUPRA. Mesmo que a marca SEAT venha a desaparecer, a companhia pretende manter e reforçar a atividade industrial em Martorell, perto de Barcelona. Esta reestruturação está integrada no Future Plan 2030 do Grupo Volkswagen, que prevê reduzir até 50% o número de modelos comercializados e diminuir até 75% a complexidade das configurações disponíveis.




