A alga invasora Rugulopteryx okamurae, de origem japonesa, tem apresentado um crescimento acelerado na costa de Sines nos últimos três anos, alertou o investigador Joaquim Parrinha, colaborador do MARE|ARNET. A espécie foi detetada pela primeira vez há dez anos no distrito de Setúbal e, no conselho de Odemira, tem sido encontrada ao longo da faixa costeira entre Melides e Azenha do Mar, com diferentes níveis de concentração. A alga terá sido introduzida no Mediterrâneo em 2022 através de ostras de aquacultura e foi detetada nos Açores em 2019, tendo-se instalado primeiro no Algarve antes de subir a costa portuguesa, facilitada pelo aumento da temperatura da água.
A acumulação em algumas praias do conselho de Sines resulta da agitação marítima que arrancou as algas do fundo e as transportou até à costa. Em locais como a Ilha do Pessegueiro, existem autênticas florestas desta alga que, apesar da sua beleza, não são naturais para as espécies autóctones, comprometendo o seu desenvolvimento. Joaquim Parrinha explicou que a acumulação impede a passagem da luz e reduz a disponibilidade de oxigénio no fundo do mar, com consequências para algas coralinas, sargaços, laminárias e algas do género Codium. As grandes massas de algas formam bolsas de gases que levam à eutrofização das lagoas subaquáticas.
O investigador defende que é necessário fazer a remoção desta biomassa nas praias e o seu eventual aproveitamento agrícola, ou alternativamente proceder à colheita da alga no terreno ou debaixo de água para libertar as rochas para algas autóctones se fixarem. Esta alga castanha tem origem nas costas quentes e temperadas do Noroeste do Pacífico e foi registada pela primeira vez na Europa no Étang de Thau, em França, em 2002. A sua proliferação ocorreu a partir de 2015, colonizando fundos rochosos entre 0 e 40 metros de profundidade, tendo recentemente alcançado a Madeira, os Açores e as Ilhas Canárias.
Em julho de 2025, o Governo português aprovou a Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae, que prevê a remoção mecânica da alga em zonas críticas, o estudo da sua valorização para fins industriais ou agrícolas, a mobilização de equipas regionais de resposta rápida e a criação de uma base de dados nacional com registo geo-referenciado da evolução da espécie.




