O Ministério da Justiça espera ter até ao final do ano as conclusões da auditoria à Polícia Judiciária, conduzida pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça, revelou o gabinete da ministra Rita Alarcão Júdice à agência LusA. O executivo adiantou que as auditorias estão a decorrer com autonomia técnica e independência, e que a prioridade é concluí-las com celeridade, sem comprometer o rigor e a qualidade da análise.
As auditorias foram anunciadas pelo Ministério da Justiça no dia 06 de agosto, na sequência das diversas polémicas que envolvem o ex-diretor nacional da PJ e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves. Uma das auditorias foi pedida pelo atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, e decorre em paralelo com a auditoria da IGSJ.
Luís Neves e o Governo estão sob pressão há quase dois meses, desde que foram noticiadas suspeitas de irregularidades em obras privadas numa propriedade do ministro em Odemira, designadamente a construção de uma piscina feita por um empreiteiro amigo que venceu 17 contratos de empreitadas para obras na PJ. Seguiram-se notícias sobre a entrega ao mesmo empreiteiro, João Carvalho, dono da Construbarcelos, de um atrelado apreendido na Operação Pacoba contra o tráfico de droga, com bidões de químicos no seu interior.
O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, adiantou que existem três inquéritos no Ministério Público a envolver Luís Neves, a que se juntam um processo no Tribunal de Contas e uma investigação de natureza administrativa. Entre os inquéritos estão o caso do atrelado, o uso de um carro apreendido judicialmente no processo que condenou 'Xuxas' a 20 anos de prisão por tráfico de droga, e as obras em Odemira, que são também alvo de investigação pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja. O Ministério Público abriu ainda um inquérito pelo DIAP de Évora relativo ao caso do atrelado.




