Os negócios de compra e venda de empresas estão a abrandar significativamente em Portugal. O valor das operações este ano caiu quase 60% para 5,4 mil milhões de euros até agosto, segundo dados da TTR Data, enquanto o número de transações desceu quase 30% para cerca de 330 operações. Entre os compradores estrangeiros em destaque estão os espanhóis com compras na ordem dos 380 milhões de euros em 25 transações, seguidos pelos compradores do Reino Unido e do Luxemburgo. No sentido inverso, as empresas portuguesas a comprar no estrangeiro direcionaram mais de 1,1 mil milhões de euros para o mercado espanhol em 34 transações, seguindo-se o Brasil e a Alemanha. Um dos grandes negócios fechados este ano foi a compra da cimenteira Secil à Semapa pela espanhola Molins por 1,4 mil milhões de euros.
Entre as razões para este abrandamento estão o aumento do custo do financiamento devido à subida das taxas de juro pelo BCE, que voltou a subir em junho e se espera nova elevação em setembro. A guerra no Médio Oriente também pressionou os preços dos combustíveis e impulsionou a inflação, enquanto os juros da dívida soberana voltaram a subir em todo o mundo, com as yields a atingirem máximos de 15 anos na Europa. O desfasamento das expetativas entre vendedores e compradores, aliado aos ambiciosos planos de negócios que os vendedores pretendem ver cumpridos, constitui outro entrave significativo.
O Goldman Sachs já tinha alertado no primeiro semestre que a "inflação persistente e volatilidade das taxas de juro" seriam ventos adversos para o resto do ano, podendo levar a um aumento das taxas de juro, elevando o custo do capital e reduzindo a atividade de aquisições. Apesar disso, o primeiro semestre correu bem a nível global, com o volume de fusões e aquisições a subir 48%, e o banco acredita que a tendência pode manter-se, com empresas a tentarem antecipar-se a tempos mais difíceis para obter capital.
Um estudo da Roland Berger revelou que mais de 75% dos profissionais do setor antecipam um aumento no volume de fusões e aquisições, com Portugal e Espanha a afirmarem-se como "portos seguros" para o capital internacional.




