A Psicologia está presente em diversas áreas como a educação, justiça, empresas, desporto, forças de segurança e proteção de crianças, entre outras. Em qualquer um destes contextos, a competência técnica é indispensável, e quando alguém exerce funções próprias da Psicologia sem a formação adequada, podem surgir consequências graves. Uma avaliação incorreta pode atrasar um diagnóstico ou conduzir a intervenções inadequadas, e a utilização de métodos sem evidência científica pode criar falsas expectativas, prolongar o sofrimento e comprometer a confiança nos cuidados prestados. O prejuízo nem sempre é imediatamente visível, manifestando-se frequentemente em tempo perdido, agravamento do sofrimento e perda de confiança nos profissionais.
O artigo, assinado por Miguel Coutinho, presidente da Delegação Regional Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), e Ana Filipa Silva, psicóloga e vogal da Direção Regional do Sul da OPP, alerta que consultar um psicólogo inscrito na Ordem significa ser acompanhado por um profissional com formação superior em Psicologia, estágio e prática supervisionada, inscrição obrigatória e cédula profissional válida, estando ainda vinculado a um Código Deontológico que protege o cidadão. Um não psicólogo pode ouvir, aconselhar ou partilhar opiniões, mas não tem formação específica, não realiza prática supervisionada na área, nem está sujeito às normas deontológicas e legais que regulam a atividade psicológica em Portugal.
Os autores recomendam que, antes de iniciar um acompanhamento psicológico, os cidadãos confirmem se o profissional está inscrito na OPP, possui cédula profissional válida, identifica claramente a sua área de atuação, explica os objetivos e métodos da intervenção, solicita consentimento informado e utiliza métodos sustentados pela evidência científica. Estas verificações simples constituem um importante mecanismo de proteção. A Ordem combate a usurpação do título profissional não apenas para defender uma classe, mas para proteger as pessoas e garantir que quem confia a sua saúde mental, ou a dos seus familiares, a um profissional tem a certeza de que este possui a preparação necessária e cumpre o Código Deontológico.
O Código Deontológico da OPP, que celebra 15 anos de existência, define a identidade da profissão e permite à população identificar o que os psicólogos podem ou não podem fazer, assumindo o compromisso público da Psicologia com a dignidade humana e com a proteção das pessoas. Os autores concluem que a saúde mental merece o mesmo rigor que qualquer outra área da saúde, pois ouvir não basta, aconselhar não basta e a boa vontade não basta — é preciso conhecimento científico, ética, responsabilidade e formação adequada para distinguir um verdadeiro psicólogo.




