Armindo Monteiro alerta para os desafios estruturais da economia portuguesa, incluindo a dependência crónica dos fundos europeus, que segundo ele cria uma ilusão de desenvolvimento que mascara a falta de inovação endógena. Defende que o país se habituou a consumir o que não produz e a financiar o Estado sem criar uma base produtiva e exportadora robusta, tornando-se vulnerável a choques globais devido à dependência excessiva do turismo e do investimento imobiliário externo.
O artigo aborda a imigração como principal resposta ao inverno demográfico, com a população estrangeira residente a ultrapassar os 1,5 milhões de pessoas segundo o INE. No entanto, Armindo Monteiro identifica três fragilidades nesta solução: funciona como uma "muleta" que mascara a incapacidade crónica de valorizar o trabalho, cria uma ilusão de equilíbrio da Segurança Social através de contribuições que aumentaram 18%, e representa a substituição do vazio geracional deixado pelos 30% de jovens em idade fértil que emigraram.
Relativamente à sustentabilidade da Segurança Social, o estudo indica que a taxa de substituição bruta para um trabalhador com 40 anos de contribuições descerá de 68,3% em 2025 para 58,0% em 2065. Monteiro considera que o debate sobre a reforma deve ser iniciado sem hesitações e defende a promoção de regimes complementares de pensões, medida que consta do Acordo Tripartido de 2024 e das Recomendações do Conselho da UE, mas que ainda não foi cumprida.
O interviewee classifica o sistema de pensões como "desenhado para um mundo que já não existe" e alerta que o chamado fundo de reserva é "apenas um paliativo financeiro para uma doença que é demográfica". O rácio entre ativos e pensionistas está a estreitar-se rapidamente, o que poderá forçar o aumento da idade da reforma e a redução do valor das novas pensões. Monteiro conclui que Portugal precisa de salários mais altos, maior produtividade e uma filosofia de mudança com esperança para enfrentar estes desafios estruturais.




