O mercado português de ativos problemáticos está ativo na segunda metade do ano, com pelo menos três bancos a colocarem à venda carteiras de crédito malparado num total de 265 milhões de euros. As operações em curso são o "Projeto Dão" do Banco Montepio (60 milhões de euros), o "Projeto Elsa" do BCP (120 milhões de euros) e o "Projeto Iron" do BPI (85 milhões de euros). As três carteiras incluem uma mistura de crédito com e sem garantias e são compostas por créditos granulares, ou seja, sem grandes devedores individuais. Os bancos contactados não comentaram a informação.
A estas operações junta-se o "Project Horizon" do Novobanco, lançado em junho, para vender ativos que pertenceram a Luís Filipe Vieira, antigo presidente do Benfica. Este projeto tem um valor nominal total de 583 milhões de euros, repartido por quatro subcarteiras: 66 milhões de euros de dívida sobre ativos em Portugal, 25 milhões de euros de dívida sobre ativos em Moçambique, 352 milhões de euros em ativos em Portugal (incluindo um direito de venda relativo ao fundo FIAE Promoção e Turismo) e 140 milhões de euros em unidades de participação num fundo cujo NAV é zero. A KPMG está a assessorar o Novobanco e já recebeu propostas não vinculativas de fundos interessados.
Os bancos portugueses já fizeram nos últimos anos uma grande limpeza de créditos em incumprimento, o que lhes permite ter hoje rácios de Non-Performing Loans em torno dos 1,7%, em média. Uma fonte do setor explica que as operações agora em curso são marginais face à dimensão dos ativos dos bancos e fazem parte da atividade corrente de limpeza do balanço. São esperados mais negócios até ao final do ano.
Por regra, os créditos que entram em incumprimento devem ser progressivamente cobertos por provisões: créditos sem garantia atingem 100% de cobertura ao fim de 3 anos, créditos com garantia real ao fim de 7 anos e créditos com garantia hipotecária ao fim de 9 anos.




