Julho de 2025 estabeleceu um novo recorde no crédito à habitação em Portugal, com mais de 2,3 mil milhões de euros emprestados às famílias num único mês. Muitas famílias anteciparam-se às novas regras do Banco de Portugal, que entraram em vigor no dia 1 de agosto, tornando mais exigente a taxa de esforço (DSTI), que passou de 50% para 45%. Esta alteração significa que a prestação mensal de um empréstimo, incluindo um choque simulado na taxa de juro, não pode exceder 45% do rendimento líquido do agregado familiar.
As novas regras ainda não se traduziram num arrefecimento do mercado. Várias intermediárias de crédito, como a Maxfinance, o Doutor Finanças e o Comparajá, reportam que a procura de financiamento manteve-se estável ou cresceu em agosto. Francisco Ferreira Lima, CEO da Maxfinance, adiantou que não se regista qualquer abrandamento na procura, enquanto Nuno Leal, co-CEO do Doutor Finanças, salientou que a intenção de comprar casa continua muito forte. A Xfin também continuou a registar níveis elevados de procura durante o mês.
As novas regras provocaram um aumento da curiosidade e ansiedade junto das famílias, que procuraram simulações gratuitas para perceber o impacto das alterações no seu caso concreto. Segundo os intermediários, as pessoas não desistiram de comprar casa, mas terão de se ajustar através de opções como optar por imóveis de menor valor, aumentar o montante da entrada com capitais próprios, reorganizar compromissos financeiros ou alongar o prazo do empréstimo. Bernardino Machado, CEO da Xfin, salientou que o desafio está cada vez mais na capacidade de concretizar a compra, dado que o imóvel pretendido nem sempre é compatível com a capacidade de financiamento.
Os intermediários consideram prematuro fazer uma avaliação completa do impacto das novas regras, sendo necessário aguardar pelos próximos meses. Tânia Barata, do Comparajá, adiantou que uma leitura mais sólida será possível em outubro, quando os processos iniciados sob as novas regras chegarem a decisão. Eduardo Garcia e Costa, da Keller Williams Portugal, considerou que o mercado já vinha muito dinâmico antes das novas regras, e que será necessário acompanhar os próximos meses para perceber se o crescimento se deve a um efeito de antecipação ou a uma tendência estrutural.




