Estamos em Setembro, mês decisivo para o futuro da TAP. O relatório da Parpública já foi entregue e a decisão do Governo sobre a privatização da companhia aérea portuguesa é iminente. O processo afunilou num duelo entre dois gigantes europeus: a Lufthansa e o consórcio Air France-KLM. A IAG (dona da Iberia) ficou de fora, deixando em cima da mesa apenas estas duas candidatas com visões distintas para a aviação nacional.
A Lufthansa apresenta como principais vantagens o facto de a TAP já pertencer à Star Alliance, o que facilitaria a transição operacional, a sua solidez financeira e capacidade de financiamento, a complementaridade geográfica (não domina a América do Sul e poderia investir no hub de Lisboa para rotas do Atlântico Sul), e a experiência em gerir múltiplas companhias aéreas. Como pontos negativos, a gestão alemã prefere ter um controlo acionista alargado, o que pode confluir com o modelo inicial de alienação minoritária de 44,9% definido pelo Estado, e existe o risco de excesso de centralização das decisões em Frankfurt e Munique.
O consórcio Air France-KLM oferece como vantagem a valorização do hub de Lisboa, já que os seus aeroportos em Paris e Amesterdão estão congestionados, o que daria a Portugal prioridade como plataforma atlântica para o Brasil, África lusófona e América do Norte, além de poder abrir portas para uma parceria estratégica com a Delta Airlines. Os contras incluem a necessidade de a TAP sair da Star Alliance para aderir à SkyTeam, um processo moroso e dispendioso, e uma estrutura financeira historicamente mais exposta com margens e capacidade de investimento mais limitadas.
O artigo conclui que a escolha não deverá basear-se apenas no valor financeiro por ação, mas sim nas garantias contratuais que o Governo consiga obter para proteger o hub de Lisboa, as rotas estratégicas para a lusofonia e o emprego nacional, evitando que a TAP seja reduzida a uma mera alimentadora de tráfego de outros aeroportos europeus.




