Luís Neves no labirinto, dos inquéritos crime à moção de censuraFoto de laura dominguez no Pexels
Política

Luís Neves no labirinto, dos inquéritos crime à moção de censura

Eco4 de setembro de 2026 às 00:01

O atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, é alvo de múltiplos processos judiciais e políticos relacionados com o período em que dirigiu a Polícia Judiciária (PJ), entre 2018 e 2026. Existem três inquéritos criminais em curso: dois no DIAP de Lisboa — um sobre um atrelado apreendido na Operação Pacoba que acabou nas instalações da Construbarcelos, empresa do empreiteiro João Carvalho, amigo de Luís Neves, e outro sobre a utilização de um carro apreendido ao traficante "Xuxas" cedido em regime de comodato — e um no DIAP de Évora sobre as obras realizadas no monte alentejano de Luís Neves, em São Teotónio, Odemira, executadas pelo mesmo empreiteiro que tinha contratos com a PJ.

Além dos inquéritos criminais, há dois processos de natureza não criminal: um no Tribunal Administrativo de Beja sobre questões administrativas relativas às obras no monte, e outro no Tribunal de Contas relativo a irregularidades na gestão financeira da PJ em 2023. A Procuradoria Europeia abriu igualmente uma averiguação preventiva aos 17 contratos celebrados entre a PJ e a Construbarcelos entre 2019 e 2025, num valor global de cerca de 2,2 milhões de euros, parcialmente financiados por fundos europeus.

O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, confirmou que os dois inquéritos considerados "urgentes" prosseguiram durante as férias judiciais, sem comprometer-se com prazos para a sua conclusão. A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, determinou ainda uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça à PJ, abrangendo o período dos mandatos de Luís Neves.

A nível político, o Chega avançou com uma moção de censura ao Governo, agendada para 8 de setembro, colocando Luís Neves diretamente no centro do debate. O partido pediu também uma comissão parlamentar de inquérito aos anos de Luís Neves à frente da PJ, embora o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, tenha levantado dúvidas sobre a admissibilidade do requerimento. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, tem sostenido que é necessário aguardar o apuramento dos factos antes de tomar qualquer decisão.

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