O Acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor provisoriamente a 1 de maio, funcionando numa espécie de "união de facto" que produz efeitos reais para as empresas, mas ainda sem a aprovação formal do Tribunal de Justiça da União Europeia. As negociações foram concluídas em 2024, o Conselho aprovou a assinatura a 9 de janeiro de 2026 e o texto foi rubricado em Assunção a 17 de janeiro. No entanto, quatro dias depois, o Parlamento Europeu, pressionado por França, Polónia e Áustria, pediu ao tribunal um parecer sobre a compatibilidade do acordo com os Tratados, travando o Acordo de Parceria mais amplo. Apenas a parte comercial, chamada Acordo Interino, entrou sozinha em vigor.
Nos dois primeiros meses de vigência, as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 10 mil milhões de reais, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionadas por manga, café, mel, máquinas e motores. Este movimento intensificou-se depois de Washington confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, empurrando o Brasil para a porta que se abre do lado europeu.
Os efeitos económicos já se fazem sentir em estados como Ceará, onde as vendas para a Europa subiram 72% no acumulado de doze meses, com destaque para rochas ornamentais que a Itália compra avidamente. Em Goiás, a União Europeia já absorve 12,5% das exportações do estado, e a federação da indústria local estima um ganho adicional de 218 milhões de dólares e a criação de 24.200 postos de trabalho, sobretudo em agroindústria, mineração, metalurgia e couros.
Enquanto o Tribunal não se pronuncia, o que pode demorar até ao final de 2027, ficam em aberto partes inteiras do acordo, incluindo os mecanismos de salvaguarda que a França exige para os seus agricultores e o capítulo de sustentabilidade. Quem exporta ou investe já beneficia de tarifas mais baixas e certificados de origem emitidos, mas ainda não sabe em que moldura política tudo isto vai assentar em definitivo.




