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Nvidia confirma força do investimento em IA, mas próxima fase exige retornos, defende Freedom24

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 00:02

Os resultados do segundo trimestre do exercício fiscal de 2027 confirmam a força do ciclo de investimento em inteligência artificial, segundo uma análise da Freedom24. A Nvidia registou receitas de 96,2 mil milhões de dólares, mais 106% do que no mesmo período do ano anterior, com o lucro a aumentar 126% para 59,7 mil milhões de dólares. O segmento de Data Center, principal motor do negócio, cresceu 117% para 89 mil milhões de dólares. A empresa prevê receitas de cerca de 108 mil milhões de dólares para o terceiro trimestre.

A composição das receitas mostra uma diversificação da procura por infraestrutura de IA. Enquanto os grandes fornecedores de computação em nuvem, os hyperscalers, geraram 48,7 mil milhões de dólares em receitas, o segmento que inclui clouds especializadas, empresas industriais, laboratórios de IA e projetos governamentais cresceu 139% para 40,3 mil milhões de dólares. Esta evolução indica que o investimento está a deixar de estar concentrado num grupo restrito de grandes empresas tecnológicas.

A Nvidia está a procurar alargar a sua posição na cadeia de valor, passando das unidades de processamento gráfico para sistemas de computação, CPUs, redes, software, soluções de inferência e infraestruturas para fábricas de IA. A plataforma Vera Rubin, sucessora da arquitetura Blackwell, já está em fase de produção em larga escala. A empresa anunciou ainda, com grandes gestores de ativos e instituições financeiras, iniciativas para criar plataformas de financiamento de capacidade computacional capazes de mobilizar mais de 500 mil milhões de dólares de capital de terceiros.

A análise da Freedom24, conduzida por João Lampreia, alerta para riscos associados a possíveis estruturas de financiamento circular no ecossistema de IA, referindo a possibilidade de a empresa financiar indiretamente clientes e deter participações diretas em empresas como a CoreWeave. A Nvidia prevê uma redução da margem bruta de 75% para cerca de 74% no trimestre seguinte, num momento em que o foco passa da garantia de capacidade computacional para a monetização e retorno económico dos investimentos. As ações da empresa mantêm tendência positiva de longo prazo, em consolidação próxima dos máximos históricos, com resistência entre 228 e 236 dólares e preço-alvo médio dos analistas de 317,32 dólares a 12 meses.

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