Cinco anos depois de Cabul, o Afeganistão continua à esperaFoto de Nascimento Jr. no Pexels
Mundo

Cinco anos depois de Cabul, o Afeganistão continua à espera

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 00:13

Cinco anos depois de os talibãs terem entrado em Cabul, a 15 de agosto de 2021, marcando o fim abrupto e humilhante de duas décadas de intervenção ocidental no Afeganistão, o país desapareceu em grande parte dos ecrãs mundiais. As imagens icónicas de famílias nos portões do aeroporto de Cabul, de pessoas a correr pela pista e a agarrar-se aos aviões, tornaram-se um símbolo do colapso de um projeto político. A responsabilidade do Ocidente não terminou quando as últimas tropas partiram, argumenta o autor do artigo.

As consequências da retirada têm sido particularmente profundas para milhões de afegãos, especialmente mulheres e raparigas. O Afeganistão continua a ser o único país do mundo onde raparigas e mulheres são excluídas do ensino secundário e superior, com a UNESCO a estimar que 2,4 milhões de raparigas estão atualmente impedidas de estudar. As mulheres têm sido progressivamente excluídas do emprego e da vida pública, sujeitas a restriçõesseveras à mobilidade e a qualquer forma de expressão. O Relator Especial da ONU para o Afeganistão concluiu que o sistema imposto equivale ao crime contra a humanidade de perseguição de género.

Os Estados Unidos gastaram cerca de 2,3 biliões de dólares na sua guerra de 20 anos, mas as forças governamentais e de segurança que apoiavam colapsaram rapidamente mal o apoio americano e da NATO acabou. Antes do regresso dos talibãs, a ajuda externa financiava cerca de três quartos das despesas públicas do Afeganistão, tornando essa soberania dependente de instituições, dinheiro e poder militar estrangeiros. Mais de 22 milhões de afegãos necessitam de assistência humanitária, incluindo 10,7 milhões de mulheres e raparigas.

O autor defende que isolar o Afeganistão não é solução, propondo um envolvimento sem legitimação: manter canais diplomáticos enquanto se recusa a aceitar a repressão, apoiar a assistência humanitária e a sociedade civil afegã, garantir oportunidades educativas para raparigas e honrar os compromissos feitos àqueles que confiaram nos governos ocidentais. O futuro do Afeganistão não pode ser desenhado apenas em Washington, Bruxelas ou Londres, sendo a cooperação regional com países como o Irão, o Paquistão e a China indispensável.

Notícias relacionadas

Mundo

Buckingham em alerta máximo

O Palácio de Buckingham está em estado de alerta máximo devido a uma disputa envolvendo o príncipe Harry e Meghan Markle. O casal Sussex parece estar disposto a tomar medidas extremas relacionadas a questões financeiras, preferindo enfrentar situações adversas a abrir mão de seu dinheiro. A tensão entre o casal e a família real britânica continua a escalar, mantendo a instituição real em vigilante.

Correio da Manhã04/09/26, 00:30
Mundo

JD Vance confirma que EUA estão a investigar ataque a casamento no Irão que matou várias pessoas

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, confirmou que os EUA estão a investigar o ataque aéreo que terá atingido uma festa de casamento na cidade de Sirik, no Irão, causando várias mortes. Vance não especificou quais seriam as ações norte-americanas caso a informação seja confirmada como verdadeira. O Irão afirma que o ataque atingiu civis durante uma celebração matrimonial.

SIC Notícias04/09/26, 00:23
A ética do desenrascanço
Mundo

A ética do desenrascanço

O artigo explora a diferença entre ética e lei, definindo ética como o conjunto de valores e princípios que orientam comportamentos humanos, e lei como o conjunto de normas que permitem a vida em sociedade. O texto destaca que, embora relacionadas, estas duas dimensões nem sempre se alinham, levantando questões sobre a tensão entre o que é moralmente correto e o que é legalmente permitido.

SAPO Notícias04/09/26, 00:17
Mundo

Brasil, a eleição que sentimos

O artigo analisa a proximidade única entre Portugal e o Brasil, salientando que a eleição brasileira de 4 de outubro é seguida em Portugal como um "drama" doméstico, não apenas como notícia internacional. Com 574 mil brasileiros a viver em Portugal e investimentos significativos de empresas portuguesas como a Galp, EDP e Mota-Engil no Brasil, o resultado eleitoral terá impacto direto no câmbio, concessões e confiança económica portuguesa. O artigo distingue ainda que Lula tende a ver Portugal como parceiro estratégico, enquanto o bolsonarismo procura validação em Washington, e alerta que o próximo presidente brasileiro influenciará também o futuro do Mercosul e o acesso das exportações portuguesas ao mercado sul-americano.

Jornal Económico04/09/26, 00:14