O projeto de canábis medicinal que prometia transformar Beja num dos maiores centros europeus de produção terminou em insolvência. A empresa Symtomax, instalada na Herdade da Gravinha, nunca chegou a desenvolver atividade comercial, apesar de ter anunciado em 2020 um investimento superior a 30 milhões de euros ao longo de cinco anos. Os equipamentos da empresa foram agora leiloados por um valor inferior a 4% da dívida que a Symtomax deixou apenas ao Estado.
Constituída em 2017, a Symtomax pretendia construir o maior centro de cultivo de canábis medicinal ao ar livre da Europa, abrangendo uma área total de 105 hectares, dos quais 95 destinados ao cultivo. O projeto incluía ainda laboratórios de investigação e controlo de qualidade, assim como unidades de processamento, embalamento e distribuição. A empresa estimava uma capacidade de produção de 700 mil quilogramas de canábis medicinal por ano.
O projeto contou com a participação de Eurico Castro Alves, antigo presidente do Infarmed e ex-secretário de Estado da Saúde, que foi anunciado como administrador não executivo em outubro de 2019. Em junho de 2021, a empresa recebeu autorização do Infarmed para iniciar o cultivo e desenvolver atividades de importação e exportação, tendo anunciado no início de 2022 a realização de uma cultura experimental. Contudo, em abril deste ano, a Symtomax deixou de constar das listas de entidades autorizadas pelo Infarmed.
A venda decorreu no âmbito do processo de insolvência n.º 619/26.0T8BJA, que corre no Juízo Local Cível de Beja. O lote leiloado pela OneFix incluía equipamentos industriais, estufas e sistemas de climatização, ventilação e rega. As instalações ficaram abandonadas, num desfecho distante das metas de investimento e crescimento internacional anunciadas pela empresa.




