O Governo português prepara-se para anunciar esta sexta-feira novas medidas de apoio aos viticultores da região vinhateira do Douro, que enfrentam uma crise marcada por dificuldades no escoamento das uvas e preços que não acompanham os crescentes custos de produção. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, à margem da AgroSemana na Póvoa de Varzim.
O Executivo vai implementar duas respostas principais: um apoio financeiro direto aos produtores que não conseguiram vender as suas uvas, a ser anunciado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro em Conselho de Ministros, e uma nova linha de crédito de tesouraria de 100 milhões de euros para empresas e cooperativas pagarem aos produtores pelas uvas. No caso das cooperativas, o acesso à linha de crédito ficará limitado às que não tenham importado vinho nos últimos três anos.
A crise no Douro resulta de um conjunto de fatores que se têm vindo a acumular: excesso de produção, queda nas vendas dos vinhos da região, aumento dos custos de produção e um contexto internacional de incerteza com mudanças nos hábitos de consumo. Os cerca de 18 mil viticultores durienses enfrentam dificuldades em vender as uvas que ficam para lá do "benefício" — a quantidade máxima de mosto generoso que cada produtor pode vender ao abrigo do regime da Região Demarcada do Douro.
Os produtores já manifestaram o seu descontentamento. Esta quarta-feira, vários viticultores despejaram cerca de 300 quilos de uvas em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, no Peso da Régua, protestando contra as dificuldades de escoamento. Está também anunciada nova contestação para esta sexta-feira na abertura da Vindouro, em São João da Pesqueira, onde serão exigidas medidas de apoio à região.




