Gelásio Lei chegou a Espinho com 14 anos para viver com uns tios sem filhos que insistiram com o seu pai para o deixar vir. Começou a trabalhar com eles nas feiras, nomeadamente na de Espinho, chegando numa segunda-feira e indo vender para o local onde atualmente está o edifício do Tribunal.
A feira começou naquele local e foi crescendo, tendo a família chegado a ter quatro lugares. A partir daí, a vida de Gelásio Lei foi inteiramente dedicada ao trabalho de feirante, fazendo feiras em Espinho, Carvalhos, Estarreja e Murtosa.
Apenas em 2012 é que deixou as outras feiras, mantendo-se apenas em Espinho, argumentando que o trabalho era demasiado pesado para ele e para a esposa. Saía de casa às cinco da manhã e passou quase um mês a dizer que brevemente deixaria a feira, até que num domingo comunicou à mulher que não ia montar a barraca.
Com 70 anos de carreira como feirante, Gelásio Lei confessa que actualmente não gosta de passar pelos sítios onde vendia, revelando o forte apego emocional que desenvolveu ao longo de décadas dedicadas a este trabalho nas feiras da região.




