Mais de 30 investigadores atualizaram o inventário nacional de espécies marinhas não indígenas para 231, confirmadas em Portugal continental, nos Açores e na Madeira. Oito anos depois do último inventário, este trabalho foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin e reuniu 31 investigadores de 11 universidades portuguesas, três entidades públicas nacionais e diversos institutos de investigação, tendo sido liderado por investigadores do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, e do ARNET – Rede de Investigação Aquática. Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira, incluindo cinco espécies nunca antes registadas no país, identificadas na costa sudoeste junto ao Porto de Sines.
O estudo revela um padrão geográfico claro sobre a origem das espécies invasoras. Em Portugal continental, 39% das espécies não indígenas provêm do Pacífico Norte temperado e 24% do Atlântico Norte. Nos arquipélagos, o padrão inverte-se: na Madeira, 27% têm origem no Atlântico Norte e 24% no Atlântico Tropical, enquanto nos Açores, 37% provêm do Atlântico Norte e 19% do Pacífico Norte. O transporte marítimo, através da água de lastro e da bioincrustação nos cascos dos navios, é a principal via de introdução, com a aquacultura a ter um peso particularmente relevante no continente. O Porto de Sines surge como um ponto estratégico de entrada, dado o cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África.
Além da checklist morfológica, a equipa desenvolveu uma lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental, ainda sem confirmação física da sua existência. Este mecanismo funciona como sistema de alerta precoce para potenciais invasores. O estudo identificou também que apenas 12,5% das 231 espécies têm sequências genéticas obtidas a partir de espécimes recolhidos em águas portuguesas, o que pode reduzir a fiabilidade das ferramentas de deteção rápida. Os autores defendem um reforço da recolha de amostras em Portugal como prioridade para tornar a vigilância genética mais precisa.
O trabalho resulta de uma colaboração nacional coordenada pela investigadora Paula Chainho do MARE na Universidade de Lisboa, que envolveu a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, o IPMA e o ICNF, e é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, através da Agenda NEXUS, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.




