A valorização da cultura local tem vindo a ganhar consciencialização, trazendo compromissos mas também virtualidades que elevam a autoestima das pessoas e contribuem para o reconhecimento de valores ancestrais que moldaram comunidades. São exemplos disso o Processo de Confeção da Louça Preta de Bisalhes, os Caretos de Podence em Macedo de Cavaleiros e o Cante Alentejano, todos reconhecidos pelo seu valor patrimonial imaterial.
O artigo refere também o Museu da Memória Rural, no município de Carrazeda de Ansiães, que funciona como um ecomuseu de território. O núcleo principal encontra-se na freguesia de Vilarinho da Castanheira, e não na sede do município, com polos disseminados pelas freguesias, incluindo o núcleo da Telha, do Lagar de Azeite, do Moinho de Vento, dos Moinhos de Rodízio e do Ferreiro e Ferrador.
A reflexão estende-se às Festas de Verão das aldeias, que parecem renascer neste período. Observa-se mais movimento, mais carros, cafés e restaurantes llenos, e até mais pessoas nos trabalhos do campo. No entanto, há uma comunidade que mantém a aldeia viva durante todo o ano e organiza atividades ao longo dos doze meses, mas o programa das festas parece destinar-se mais aos visitantes do que aos residentes.
O artigo alerta para uma contradição: os visitantes consideram cada vez menos a festa como "a sua festa", e está a faltar na conceção das festas "aquela camada de matéria orgânica social, histórica e afetiva que nutre o território", que é essencial para produzir desenvolvimento. Verifica-se assim uma desconexão entre as vivências do ano e o epílogo das festas, comprometendo a construção do futuro das comunidades.




