O presidente do Chega, André Ventura, anunciou esta quarta-feira, 2 de setembro, a apresentação de uma moção de censura ao XXV Governo Constitucional, liderado por Luís Montenegro. A iniciativa surge na sequência das controvérsias em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, com o líder partidário a exigir a demissão do governante e a responsabilizar o Primeiro-Ministro pela sua manutenção no cargo. André Ventura sublinhou que a moção visa censurar o Executivo pela manutenção de Luís Neves, referindo suspeitas que afetam a autoridade do ministro e a transparência na gestão da pasta.
O Chega garantiu que, caso a moção seja chumbada pela inviabilização conjunta do PS e do PSD, o partido manterá a exigência de uma comissão parlamentar de inquérito dedicada à gestão do ministro. Caso a moção resulte na queda do Governo, o compromisso passa por reativar a comissão no início da próxima sessão legislativa. Ventura colocou a viabilidade da moção nas mãos do maior partido da oposição, desafiando os socialistas a pronunciarem-se sobre as suspeitas que recaem sobre o ministro.
Luís Neves rejeitou categoricamente as acusações, afirmando ser alvo de "insinuações e mentiras". O governante acusou André Ventura de tentar criar instabilidade política e assegurou que tem legitimidade para continuar em funções, afirmando: "A mim não me intimidam, jamais me intimídarão". O partido socialista afastou o cenário de crise, com o seu líder José Luís Carneiro a sinalizar que o PS não votará ao lado do Chega para provocar uma queda do Executivo.
A aprovação da moção afigura-se improvável, tratando-se da 37.ª moção de censura apresentada em democracia e a quarta proposta pelo Chega. Na história constitucional portuguesa, apenas uma vez uma moção de censura levou à queda de um Executivo, pelo que se prevê o chumbo do documento no debate parlamentar.
