O mais recente instrumento instalado no telescópio VLT, no Chile, o espetrógrafo MOONS, fez a sua primeira observação, anunciou a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Este instrumento tem a capacidade de observar cerca de mil objetos astronómicos em simultâneo e é decisivo para compreender como se formaram e evoluíram as galáxias, incluindo a Via Láctea.
Ao captar a luz infravermelha, o MOONS consegue penetrar na poeira cósmica e analisar a luz de milhões de estrelas. O instrumento permite mapear em 3D a distribuição de estrelas e galáxias a distâncias até 40 mil anos-luz na Via Láctea e a mais de 13 mil milhões de anos-luz no Universo distante.
Cientistas da FCUL estão envolvidos no projeto, incluindo José Afonso, coinvestigador principal e especialista no estudo de galáxias, que espera que o instrumento permita compreender o que levou ao auge da atividade das galáxias há cerca de dez mil milhões de anos e o que motivou o seu declínio na história mais recente.
Alexandre Cabral, especialista em instrumentação astronómica e investigador da FCUL, afirmou que o MOONS foi um dos maiores desafios enfrentados, representando o culminar de 16 anos de trabalho desde os primeiros esboços do conceito até à primeira luz. Nos próximos dez anos, os cientistas esperam recolher dados de cerca de dez milhões de objetos astronómicos.




