A Europa aproxima-se do fim do verão com reservas de gás natural reduzidas, o que ameaça intensificar a luta global pelo abastecimento. Segundo cálculos da Bloomberg, a região ainda precisa de mais de 100 terawatts-hora de gás, no valor de mais de 7 mil milhões de euros aos preços atuais, para atingir até mesmo a sua meta mínima de armazenamento de 75%. Alcançar esse objetivo exigiria um ritmo de injeção nunca visto nesta altura da época desde a crise energética de 2022, na sequência da invasão russa da Ucrânia, arriscando empurrar os preços no inverno para mais de 100 euros por megawatt-hora, de acordo com o Goldman Sachs, Rystad Energy e Morningstar.
O conflito no Médio Oriente fez subir os preços do gás a curto prazo e tornou o armazenamento antieconómico, deixando alguns países, particularmente a Alemanha, com dificuldades em atingir até mesmo as metas de armazenamento recentemente flexibilizadas. Os preços são mais do dobro do que eram há um ano e, caso as perturbações persistam durante o inverno, a Europa poderá ter de pagar ainda mais para garantir que as escassas remessas cheguem às suas cidades. O Qatar, normalmente o segundo maior exportador mundial, precisaria de cerca de 12 semanas para reiniciar totalmente a produção de GNL, excluindo duas linhas de produção danificadas pelos ataques iranianos.
Um dos riscos é que a Europa volte a excluir os países mais pobres, como o Paquistão e o Bangladesh, devido aos preços elevados, provocando uma repetição dos cortes de energia e das interrupções nas fábricas ocorridos durante a crise energética de 2022. Embora não se espere que a Europa enfrente escassez física, uma vez que tem capacidade para pagar pelo gás, isso não significa que esteja imune a um impacto económico. Os investidores em obrigações já sinalizaram que o aumento dos preços do gás irá acelerar a inflação, obrigando os bancos centrais a subir as taxas de juro de forma mais agressiva do que os mercados esperam.
O comportamento dos preços do gás vai depender em grande parte das condições meteorológicas. O fenómeno El Niño poderá trazer à Europa um início de inverno ameno e tempestuoso, embora ondas de frio posteriores possam aumentar rapidamente a procura por aquecimento. As compras agressivas da China, interrupções no fornecimento provenientes da Noruega ou um furacão tardio nos EUA poderão tornar o mercado ainda mais restrito. Analistas consideram bastante provável que se verifiquem novos aumentos de preços antes do inverno.




