O estudo Automotive Outlook 2040, desenvolvido pela consultoria Roland Berger, identifica quatro grandes forças que vão transformar a indústria automóvel global nos próximos 15 anos: Polarized, Automated, Connected e Electrified (PACE). Estas tendências incluem a regionalização dos mercados, a inteligência artificial e automação, o domínio crescente do software e dos dados, e a progressiva eletrificação do automóvel. Segundo o estudo, a revolução da mobilidade partilhada não deverá avançar à velocidade que muitos anteciparam, sendo que fora dos grandes centros urbanos, o automóvel particular continuará a ter um papel central.
Em termos de eletrificação, o cenário-base da Roland Berger aponta para uma quota de 71% de veículos elétricos a bateria em 2040, subindo para 99% na Europa. Na América do Norte e na China, os ritmos serão diferentes. Após 2030, praticamente todos os novos automóveis deverão seguir o conceito de Software-Defined Vehicle, construídos em torno de uma plataforma de software capaz de receber novas funcionalidades "over the air" ao longo da sua vida útil.
A mudança na geografia da indústria poderá ser decisiva. A China e o Global South vão ganhar peso nos volumes e nas receitas, enquanto os mercados ocidentais atingem o chamado "peak auto" em vendas de veículos novos. Os fabricantes chineses ganharam terreno rapidamente, beneficiando de uma posição competitiva forte em custo e tecnologia, enquanto os fabricantes europeus enfrentam maior pressão tanto na China como nos seus próprios mercados.
Pedro Galhardas, managing partner da Roland Berger em Portugal, foi o convidado do podcast ECO Auto para discutir as conclusões deste estudo. A conversa aprofundou-se sobre as tendências que podem definir a próxima década e meia da indústria automóvel, num mundo cada vez mais regionalizado, com novas cadeias de fornecimento, novos concorrentes e uma disputa crescente pelo controlo do software, dos dados e dos ecossistemas tecnológicos.




