“Podemos ter mais do dobro da chuva normal”: previsão alerta para mais chuva e cheias a caminho de Portugal neste períodoFoto de Pexels LATAM no Pexels
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“Podemos ter mais do dobro da chuva normal”: previsão alerta para mais chuva e cheias a caminho de Portugal neste período

Postal do Algarve3 de setembro de 2026 às 09:00

Um El Niño muito forte está a intensificar-se no Pacífico e pode trazer a Portugal mais do dobro da chuva normal durante o outono e inverno de 2026/27. A NOAA confirma que existe uma probabilidade superior a 90% de o fenómeno atingir a categoria de muito forte nos próximos meses, com uma anomalia semanal de +1,8 ºC na região Niño 3.4 e 69% de probabilidade de ultrapassar a intensidade de todos os eventos registados desde 1950. O pico deverá ocorrer entre o final do outono e o inverno.

No entanto, a relação entre o El Niño e a precipitação em Portugal não é direta. O tempo no país é condicionado por fatores mais próximos, como a corrente de jato, a Oscilação do Atlântico Norte e a posição de anticiclones e depressões. O que um episódio excecional de El Niño pode fazer é alterar a circulação atmosférica a uma escala maior e influenciar indiretamente esses padrões. A Luso Meteo considera que o fenómeno pode contribuir para uma atmosfera mais variável, mas a projeção mais expressiva de "mais do dobro da chuva normal" é reconhecida pela própria fonte como uma possibilidade e não uma certeza.

A entidade meteorológica alerta que o risco de cheias pode ser excecional, não tanto pela chuva total prevista, mas pela concentração da precipitação em episódios intensos. Um oceano Atlântico muito quente pode disponibilizar grandes quantidades de humidade, aumentando a quantidade de água disponível quando depressões ou sistemas frontais chegam à Península Ibérica. Períodos secos poderão alternar com episódios de chuva muito intensa num curto espaço de tempo, situação que pode saturar solos e fazer subir rapidamente o nível das linhas de água.

Globalmente, o El Niño já está a causar impactos significativos. No Peru, cerca de 1,2 milhões de pessoas encontram-se em zonas vulneráveis, com estados de emergência declarados em distritos sujeitos a inundações, deslizamentos e falta de água. A previsão para Portugal continua a ser uma projeção sazonal e não um aviso meteorológico, devendo ser atualizada ao longo dos próximos meses à medida que os acontecimentos se aproximam no tempo.

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