Na região de Alcobaça e Nazaré, uma nova geração de jovens enfrenta o dilema entre partir para conhecer o mundo e permanecer nas terras que os viram crescer. O artigo do Região de Cister apresenta três histórias que demonstram como sair já não significa esquecer e ficar deixou de ser sinónimo de falta de ambição, unindo-se na busca por um propósito e no carinho pelas origens.
Maria Helena Monteiro, de 27 anos, natural da Nazaré, cresceu dividida entre o desejo de partir e a ligação à terra. Durante a adolescência, a terra marcou-a por caminhos difíceis, levando-a a ponderar se ali seria o seu lugar. Optou pelo Design de Moda no ensino superior, mas complementou a formação com pós-graduações em fotografia e comunicação, além de estudos em finanças pessoais e gestão. Hoje trabalha como professora de Design de Moda, gestora independente de redes sociais, fotógrafa de eventos e dá os primeiros passos num projeto de empreendedorismo focado na valorização das mulheres, acreditando que não é necessário sair de uma cidade para ser alguém.
Francisco Fernandes, nascido e criado em Alcobaça, concluiu o 12.º ano e chegou a frequentar a Faculdade de Letras, mas percebeu que o caminho seria feito através da experiência prática. Trabalhou na restauração, na segurança privada e realizou visitas guiadas no Estádio da Luz. Em 2018, emigrou para o Dubai para integrar a tripulação de cabine da Emirates, impulsionado pelo desejo de crescimento pessoal, viagens e melhores condições financeiras. Após visitar dezenas de países, mantém a bússola apontada ao ponto de partida, planeando regressar a Portugal para constituir família e investir numa carreira na aviação em solo português.
Pedro Melo, de 29 anos, natural do Cadoiço, trabalha na cozinha de um restaurante na Noruega, país onde regressou pela segunda vez atraído pela proposta salarial que lhe permite financiar a sua verdadeira paixão: desenhos e tatuagens. Crítico da realidade laboral portuguesa, onde diz que pessoas com e sem estudos recebem o mesmo, destaca a organização do sistema público norueguês. O seu sonho é simples: ter casa própria, não dever nada a ninguém e cultivar a sua própria horta em Portugal. Apesar de reconhecer que a nível financeiro seria mais inteligente ficar na Noruega, afirma que Portugal é a sua casa e que vai voltar, mesmo sabendo que não conseguirá ganhar tanto dinheiro como在那里.




