O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira em Washington que as eleições na Venezuela continuam suspensas, afirmando que o país sul-americano "ainda não está preparado" para realizar escrutínios democráticos, nove meses após a operação militar norte-americana que resultou na captura e afastamento do antigo chefe de Estado Nicolás Maduro, pondo fim a mais de 25 anos de hegemonia chavista iniciada por Hugo Chávez em 1999. Trump elogiou a actual líder do executivo provisório em Caracas, Delcy Rodríguez, asegurando que está "a fazer um grande trabalho", embora tenha sublinhado que o processo ainda é demasiado recente.
O adiamento das eleições surge num contexto de transição complexa. O Secretary of State norte-americano, Marco Rubio, confirmou que uma nova ronda formal de diálogo entre as autoridades provisórias venezuelanas e a oposição terá lugar dentro de cerca de dez dias, na sequência do primeiro reatamento de contactos directos em Agosto. Rubio estabeleceu um paralelo com a transição da Europa de Leste, alertando que "as eleições democráticas não se resumem à simples realização de uma votação" e que são necessárias salvaguardas institucionais e operacionais prévias.
Em paralelo, a dimensão económica do processo avançou rapidamente. O Secretary of Energy norte-americano, Chris Wright, cumpriu a sua segunda visita oficial à Venezuela este ano, reunindo-se com Delcy Rodríguez no Palácio de Miraflores para consolidar um acordo que concede a entidades norte-americanas acesso a cerca de 20 por cento das reservas comprovadas de crude venezuelano. O pacto envolve a Chevron e o grupo italiano Eni para a exploração de 17 campos produtores com um potencial de 65 mil milhões de barris. Delcy Rodríguez manifestou esperança de que o acordo beneficie ambos os povos e sirva de alicerce ao "equilíbrio energético internacional".
O adiamento indefinido das eleições e a crescente influência económica de Washington em Caracas geram oposição interna. No último fim-de-semana, dezenas de apoiantes das facções chavistas mais intransigentes manifestaram-se contra os acordos com empresas norte-americanas e contra a tutela externa do processo político. Para Washington, porém, o controlo do sector produtivo venezuelano visa garantir que "serão os Estados Unidos — e não a China, a Rússia ou o Irão — a ocupar uma posição estratégica em relação ao maior produtor de petróleo" do hemisfério ocidental.




