Portugal enfrenta uma contradição no mercado de trabalho: muitas empresas afirmam não conseguir encontrar trabalhadores, mas o desemprego jovem permanece muito acima da média nacional. Segundo o INE, em dezembro de 2025, a taxa de desemprego situava-se nos 5,6%, mas atingia 18,4% entre os jovens dos 16 aos 24 anos. O artigo argumenta que não faltam apenas trabalhadores qualificados, mas também capacidade para integrar, formar e reter uma geração indispensável ao futuro das empresas e do país.
A entrada de jovens renova as organizações com novas competências e perspetivas, mas o artigo defende que essa renovação não deve significar substituição dos profissionais mais velhos. A experiência dos profissionais mais velhos e a capacidade de adaptação dos mais jovens são apresentadas como complementares, não concorrentes. O conhecimento transmite-se quando a experiência ensina aquilo que os manuais não conseguem transmitir e as novas gerações desafiam práticas desatualizadas.
O envelhecimento da população torna esta questão urgente. Um relatório do IEFP, com base em projeções do Eurostat, aponta para uma redução de 5,2% da população portuguesa em idade ativa até 2030, podendo chegar aos 21% em 2050. A revisão oficial de contas e auditoria, tal como outras áreas, enfrenta desafios de digitalização, novas exigências de sustentabilidade e utilização de inteligência artificial, precisando simultaneamente de jovens preparados e de profissionais experientes que lhes transmitam princípios e rigor.
Formar quem está a começar é apresentado como investimento, não custo. Para que os jovens fiquem, precisam de salários justos, perspetivas de progressão e condições para construir uma carreira. O artigo defende que ordens profissionais, empresas e instituições de ensino devem trabalhar em conjunto para dar a conhecer diferentes profissões aos estudantes e criar pontes entre o sistema educativo e o mercado de trabalho. A retenção de talento depende também de uma mudança cultural: deixar de olhar para os jovens como profissionais incompletos e vê-los como pessoas em formação nas quais vale a pena investir.




