Menos desemprego e melhores salários. Média final de curso ainda importa no mercado de trabalhoFoto de Ivo Brasil no Pexels
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Menos desemprego e melhores salários. Média final de curso ainda importa no mercado de trabalho

Eco3 de setembro de 2026 às 00:01

Um novo estudo do think tank EDULOG, coordenado por Ricardo Biscaia, revela que a média final de curso superior tem um impacto positivo tanto na empregabilidade como nos salários dos diplomados. Os estudantes com melhores médias têm menor probabilidade de ficar no desemprego e auferem salários mais elevados, sendo que cada valor adicional na nota corresponde a um aumento salarial de 2,3% um ano após a conclusão do curso e de 4% ao fim de cinco anos. Um aluno com mais cinco valores pode ganhar 20% mais do que um diplomado com média inferior, passados cinco anos da graduação.

O estudo conclui ainda que a experiência internacional durante o curso não apresenta efeitos significativos na empregabilidade, o que Ricardo Biscaia classifica como um resultado "surpreendente". A experiência profissional anterior apenas reduz o risco de desemprego no primeiro ano, enquanto o tipo de instituição frequentada, pública ou privada, universitária ou politécnica, também não revela impactos estatisticamente significativos no mercado de trabalho.

A área de formação surge como o fator que mais diferencia os resultados dos diplomados portugueses. As áreas de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção apresentam as menores taxas de desemprego, enquanto Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática, Estatística, Humanidades e Línguas registam probabilidades de desemprego pelo menos dez pontos percentuais superiores. As TIC e Engenharia destacam-se ainda pelos melhores salários e níveis de satisfação profissional, enquanto mais de metade dos diplomados em Humanidades sofrem de sobrequalificação.

O estudo evidencia também a desvantagem persistente das mulheres no mercado de trabalho, que apresentam maior probabilidade de desemprego cinco anos após a graduação, menor estabilidade contratual, salários mais baixos e maior risco de sobrequalificação. Perante estas conclusões, os especialistas do EDULOG defendem a necessidade de disponibilizar mais e melhor informação sobre os resultados profissionais das diferentes áreas de formação, permitindo aos estudantes e famílias tomar decisões mais informadas nas escolhas académicas.

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