A autonomia dos carros elétricos é frequentemente inferior aos valores anunciados, o que tem levado a litígios nos tribunais europeus. O procedimento WLTP, que mede o consumo e a autonomia em condições normalizadas, não garante que o condutor obtenha sempre os mesmos resultados na estrada, uma vez que fatores como temperatura, velocidade, climatização, carga e estado da bateria influenciam a distância percorrida.
Um tribunal alemão, o Landgericht Wuppertal, decidiu em dezembro de 2025 que um vendedor deveria aceitar a devolução de um carro elétrico e reembolsar o comprador em 33.749,95 euros. O veículo apresentava uma autonomia WLTP anunciada entre 332 e 341 quilómetros, mas a avaliação pericial apurou apenas cerca de 282 quilómetros, com uma degradação da bateria de aproximadamente 17%, considerada superior ao expectável. O tribunal aplicou por analogia decisões relativas a veículos a combustão e considerou significativa uma divergência superior a 10%, embora não tenha criado uma regra europeia geral.
Em França, a Cour d'appel de Toulouse decidiu a favor de uma empresa que comprou um Peugeot e-Partner por 18.990 euros, com autonomia indicada até 170 quilómetros. Os testes revelaram apenas 131 quilómetros, uma diferença de cerca de 23%. O tribunal valorizou o facto de a documentação comercial não explicar adequadamente as condições normalizadas do teste nem os fatores que poderiam reduzir a autonomia, tendo resolvido a venda com restituição do preço.
Um outro tribunal alemão, o Landgericht Ellwangen, rejeitou em abril de 2025 o pedido de um comprador de um Volkswagen e-Golf usado, que alegava uma autonomia até 50% inferior aos 231 quilómetros WLTP indicados para um veículo novo. A decisão sublinhou que a degradação natural da bateria ao longo do tempo não representa, por si só, uma falta de conformidade quando se mantém dentro dos valores tecnicamente habituais. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 84/2021 determina que o vendedor responde por falta de conformidade durante três anos, mas não existe uma margem automática de 10% nem a possibilidade de devolver automaticamente um carro elétrico cuja autonomia fique abaixo do valor WLTP.




