O Governo português vai avançar com um plano especial para o município de Sines, no distrito de Setúbal, para responder à pressão causeda pela concentração de investimentos industriais na região. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, durante a cerimónia de entrega do Título Digital de Exploração das duas novas fábricas do projeto Alba, da Repsol.
O plano vai abranger áreas como habitação, educação e saúde, com o objetivo de criar condições de acesso a casa, escolas, centros de saúde, lares de terceira idade e infantários. O governante reconheceu a "especificidade" do território e adiantou que está a trabalhar com a câmara municipal para preparar um plano de investimentos públicos, salientando que esta medida "não é normal no conjunto do país".
O presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha, tinha alertado para a pressão nos serviços públicos causeda por investimentos privados estimados em mais de 20 mil milhões de euros. O autarca considerou que "o problema da habitação é absolutamente dramático", referindo que não existem casas para arrendamento a menos de dois mil euros mensais ou imóveis para compra a menos de 300 mil euros. O edil defendeu também a necessidade de rever a Lei das Finanças Locais, salientando que o município recebeu menos de 1,5 milhões de euros de derrama no ano passado, num orçamento de 41,5 milhões.
O edil da CDU apontou que o município cresceu mais de 12% em população desde 2021, o que representa cerca de duas mil pessoas, sem que tenha havido crescimento equivalente ao nível das respostas públicas. Álvaro Beijinha apelou ainda à responsabilidade social das empresas que se instalam no território e defendeu a celebração de contratos locais com os investidores.




