A alga invasora Rugulopteryx okamurae está a ocupar extensas áreas dos fundos marinhos da Costa Alentejana, numa faixa que se estende entre Melides, no município de Grândola, e Azenha do Mar, em Odemira. Em algumas zonas, a espécie já se encontra disseminada até aos 12 metros de profundidade, com São Torpes e a Ilha do Pessegueiro, no município de Sines, entre as áreas mais afetadas.
Joaquim Parrinha, investigador da Universidade de Coimbra e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), alertou para a forte expansão da espécie nos últimos dois a três anos. A alga foi detetada há cerca de uma década na Marina do Porto de Sines, mas a alteração mais significativa ocorreu recentemente. "Com o aumento da temperatura da água notou-se um 'boom' exponencial em todas as zonas até aos 12 metros de profundidade", afirmou o investigador à agência Lusa, acrescentando que, nas áreas menos profundas, "está tudo ocupado" pela espécie invasora.
A Rugulopteryx okamurae forma concentrações densas sobre o fundo marinho, ocupando espaço utilizado pelas comunidades marinhas locais e condicionando o desenvolvimento de espécies autóctones. A elevada densidade da alga pode reduzir a passagem de luz e a disponibilidade de oxigénio junto aos fundos, afetando algas coralinas, sargaços, laminárias e códium. "A floresta que esta alga faz, não deixando de ser bonita, não é natural para as espécies autóctones e prejudica bastante o seu desenvolvimento", explicou Joaquim Parrinha.
Portugal dispõe, desde julho de 2025, de uma Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae, aprovada pela Portaria n.º 270-A/2025/1. A estratégia prevê a monitorização da expansão, a remoção mecânica em zonas críticas e o estudo de formas de valorização da biomassa recolhida. O investigador defende a remoção da biomassa acumulada nas praias e possíveis utilizações agrícolas, depois de tratado o sal, bem como intervenções no meio marinho para libertar as superfícies rochosas necessárias às algas locais.




