Em julho de 2024, a fiscalização migratória nos Estados Unidos atingiu um novo patamar, com pessoas detidas apenas por infrações civis de imigração, sem condenação criminal ou acusação pendente, representando pela primeira vez mais da metade de todos os detidos durante o atual governo. A média diária de prisões ultrapassou 1.580, totalizando 49.571 detenções no mês, um aumento de 15% em relação a junho e de 70% comparado a fevereiro. Mais de 800 pessoas sem antecedentes criminais foram presas, em média, todos os dias. Os dados são do Deportation Data Project, iniciativa ligada às universidades da Califórnia em Berkeley e Los Angeles.
As operações migratórias têm se concentrado cada vez mais dentro das comunidades, não apenas em prisões. Em junho e julho, pelo menos 45.300 pessoas foram presas diretamente em ruas, bairros e espaços públicos, quase metade do total de detenções no período. A estratégia inclui abordagens menos visíveis, como blitzes de trânsito, prisões em aeroportos e ações em tribunais de imigração.
Na Flórida, estado cuja legislação obriga forças policiais locais a colaborar com o ICE, o avanço foi ainda mais expressivo. As detenções em comunidades durante junho e julho foram quase quatro vezes superiores à média dos seis meses anteriores. Em Miami, a média mensal de prisões saltou de 115 para 715, e em Jacksonville passou de cerca de 15 para 165. Somente no sul da Flórida, o ICE teria registrado quase 6 mil novos agendamentos de detenção em julho.
O governo americano afirma que a prioridade continua sendo retirar das ruas pessoas consideradas ameaças à segurança pública, mas os próprios dados analisados mostram que condenados por crimes violentos representaram apenas cerca de 4% dos detidos em julho. O Departamento de Segurança Interna destaca que a classificação "não criminoso" refere-se apenas à ausência de antecedentes criminais nos Estados Unidos, não descartando crimes cometidos em outros países.




