Nos primeiros sete meses de 2026, deram entrada 739 pré-avisos de greve em Portugal, o que representa um aumento de quase 65% face ao mesmo período de 2025, quando foram entregues 449 avisos. Os dados são da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho e incluem 661 pré-avisos fora do setor empresarial do Estado e 78 no setor empresarial do Estado. Este é o segundo valor mais elevado para este período desde 2023, ano que registou 980 pré-avisos e que também ficou marcado por uma reforma laboral.
O crescimento exponencial é explicado pela contestação em torno da reforma do trabalho proposta pelo Governo de Luís Montenegro. Após a greve geral de 11 de dezembro de 2025, convocada pela UGT e pela CGTP, a central sindical liderada por Tiago Oliveira marcou para 3 de junho um novo protesto generalizado contra as alterações à lei laboral. Estas mudanças acabaram por ser chumbadas no Parlamento, com o partido Chega a vetar o pacote laboral.
Do total de avisos prévios entregues, 122 deram lugar a serviços mínimos, dos quais 50 por acordos entre as partes, 26 através de processos no Conselho Económico e Social e 46 por despacho do Governo. Em julho, os setores com mais pré-avisos foram as atividades administrativas e serviços de apoio, com 28%, as indústrias transformadoras com 13% e os transportes e armazenagem com 10%.
O Executivo tinha proposto alargar os setores abrangidos por serviços mínimos durante greves, argumentando que maior flexibilidade nas relações laborais seria necessária para desbloquear a produtividade e стимулировать os salários em Portugal. Embora a reforma tenha ficado pelo caminho, o Governo, pela voz da ministra do Trabalho Maria do Rosário Palma Ramalho, já manifestou que não pretende desistir da revisão da lei do trabalho, considerando-a inevitável.




