Uma equipa de investigadores alemães da Universidade de Tübingen realizou um estudo com 84 adultos que ouviram vocalizações de 123 espécies de aves europeias e as classificaram de acordo com o seu grau de agradabilidade. O estudo foi publicado a 2 de setembro na revista Frontiers in Bird Science, tendo como autora principal Nadine Kalb e como autor sénior Christoph Randler.
O canto do melro foi considerado o mais agradável, enquanto o da coruja-das-torres foi considerado o menos agradável. Os investigadores descobriram que os cantos mais variados, com frequências elevadas, complexidade elevada, largura de banda mais estreita e amplitude relativamente baixa foram percecionados como mais agradáveis. Curiosamente, os cantos que evitavam uma faixa de frequências à qual a audição humana é particularmente sensível também obtiveram classificações mais elevadas.
Os cientistas salientam que os conhecimentos prévios dos participantes sobre aves não influenciaram as suas classificações, o que sugere que o prazer proporcionado pelo canto das aves está ligado a algo mais fundamental do que simplesmente saber o que estamos a ouvir. Kalb explicou que podemos estar biologicamente predispostos a preferir sons mais variáveis, com amplitudes e frequências moderadas, porque estes são sinais de um ambiente seguro e restaurador.
Os autores pretendem dar continuidade à investigação com estudos de maior dimensão e amostras mais diversificadas, incluindo pessoas de diferentes culturas. Randler afirmou que gostaria de investigar de que forma os sons das aves influenciam as pessoas em ambientes reais e como as alterações na biodiversidade se traduzem em mudanças na experiência que as pessoas têm da natureza.




