O Sistema Volta, que entrou em funcionamento em Portugal a 10 de abril de 2026, está a enfrentar problemas na sua implementação. O mecanismo permite aos consumidores pagar um depósito de 10 cêntimos ao comprarem bebidas em embalagens abrangidas, valor que pode ser recuperado ao devolver as garrafas ou latas nos pontos de recolha. Desde o arranque, foram identificados vários problemas, incluindo embalagens deixadas na via pública, falta de máquinas de recolha e dificuldades na adaptação a grandes eventos e festivais.
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, admitiu as dificuldades em Bruxelas, afirmando que algumas situações já foram resolvidas e que "tem de haver fiscalização". Uma das preocupações prende-se com pessoas a revirar contentores de lixo à procura de embalagens para receber o depósito, deixando depois outros resíduos espalhados. O Governo está a estudar a criação de recipientes próprios junto aos locais habituais de deposição para facilitar a recolha sem necessidade de remexer no restante lixo.
A governante defendeu ainda que é necessário aumentar o número de máquinas de recolha, principalmente equipamentos de maior dimensão, e que os municípios devem participar na definição da sua localização. A fiscalização deverá ser partilhada entre a SDR Portugal, entidade gestora do sistema, e os municípios. O Executivo está também a reunir-se com representantes da hotelaria e restauração para encontrar soluções específicas para esses setores.
A ministra enquadrou o sistema nos custos que Portugal suporta por não cumprir os objetivos de reciclagem, referindo que o país pagou cerca de 200 milhões de euros no último ano por plástico não reciclado. Portugal foi o 18.º país europeu a implementar este modelo, e Maria da Graça Carvalho lembrou que outros países também enfrentaram perturbações nas fases iniciais. O sistema continuará a funcionar enquanto são introduzidos ajustamentos, com o objetivo de garantir que o depósito funciona como incentivo sem criar novos problemas na gestão do espaço público.

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