Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, que ocorreu a 3 de setembro de 2025, pelas 18 horas, a investigação ao acidente ainda decorre, tanto por parte do Ministério Público como do GPIAAF, cujo relatório final foi adiado para o primeiro trimestre de 2027 devido à complexidade das peritagens técnicas. O acidente provocou 16 mortos e 24 feridos, dos quais nove graves, abrangendo vítimas de 15 nacionalidades. Entre os mortos estavam o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabinas, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
O relatório preliminar do GPIAAF revelou que o cabo de união das duas cabinas, que cedeu, não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas. A Carris, empresa municipal responsável pelo equipamento, exonerou o diretor de Manutenção do Modo Elétrico em outubro, revocou em novembro o contrato de manutenção com a empresa MNTC e a sua administração demissionária foi substituída por Rui Lopo em janeiro.
No que respeita às indemnizações, a seguradora Fidelidade assumiu custos de aproximadamente 2,3 milhões de euros, incluindo indemnizações, repatriamentos e tratamentos. Foram alcançados acordos com as famílias de apenas quatro vítimas mortais, encontrando-se sete processos em negociação, um a seguir trâmites judiciais e três ainda sem proposta definitiva por falta de documentação. Os nove feridos graves permanecem sem a sua situação clínica consolidada, o que impede avaliações indemnizatórias definitivas.
Ao longo do ano, sobreviventes e familiares denunciaram a falta de contacto por parte da Câmara Municipal de Lisboa, apesar de a autarquia afirmar que contactou todos os envolvidos. Uma família alemã avançou para tribunal e criticou a ausência de apoio da seguradora. A CML e a Carris apresentaram em setembro uma solução para o novo elevador, prevendo um concurso público internacional até março de 2027 e a abertura em 2029.




