A agência de notação financeira Moody's revelou que a China está a atribuir importância estratégica crescente a empresas essenciais para garantir a segurança energética, num contexto de tensões geopolíticas e expansão de setores com elevado consumo de eletricidade, como a inteligência artificial, os centros de dados, os veículos elétricos e a indústria transformadora avançada. A agência alertou para os riscos decorrentes da forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais, salientando que, antes do conflito no Médio Oriente, passavam pelo estreito de Ormuz cerca de 45% das importações chinesas de petróleo e gás.
Perante esta realidade, Pequim está a alargar o conceito de setores estratégicos para além dos combustíveis, produtores de energia e operadores das redes elétricas, passando a incluir também minerais críticos, equipamento nuclear, armazenamento de energia e construção de infraestruturas. Entre as empresas que poderão beneficiar desta estratégia, a Moody's destacou o grupo de infraestruturas energéticas PowerChina, o fabricante de baterias para veículos elétricos CATL, o grupo mineiro Minmetals e a Shanghai Electric Holdings, um dos poucos fabricantes chineses de equipamento nuclear. A agência ressalvou, contudo, que as empresas tradicionais de petróleo, gás, produção de eletricidade e redes elétricas continuam fundamentais para a segurança dos combustíveis e a fiabilidade do sistema.
A segurança energética ganhou particular importância para a China desde o início da guerra no Irão. Em abril, semanas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das posteriores represálias de Teerão, a liderança do Partido Comunista Chinês apelou a uma melhoria da segurança energética e dos recursos e à preparação para perturbações provenientes do exterior. O bloqueio de facto do estreito de Ormuz afetou particularmente a Ásia, provocando uma subida dos preços dos combustíveis na China e levando as autoridades a intervirem temporariamente, limitando os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual de cálculo.
Esta semana, a capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão, marcando uma mudança significativa na transformação do sistema elétrico do país. Paralelamente, as exportações chinesas de tecnologias verdes, setores em que o país ocupa uma posição dominante a nível mundial, incluindo painéis solares, baterias e veículos elétricos, dispararam nas últimas semanas perante o impacto global da subida dos preços do petróleo.




