A Parpública entregou ao Governo português, no dia 1 de setembro, o relatório de apreciação das propostas vinculativas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa para a compra de 44,9% da TAP. As duas empresas entregaram as suas ofertas no passado dia 29 de julho, último dia do prazo estabelecido para o processo de reprivatização da transportadora aérea portuguesa.
O processo prevê a venda de até 49,9% do capital da TAP, sendo que 5% estão reservados aos trabalhadores. As propostas devem incluir os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia, sendo avaliados o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis, bem como o respeito pelos compromissos laborais. A decisão final dependerá ainda da aprovação em Conselho de Ministros e da luz verde das autoridades europeias de concorrência.
O International Airlines Group (IAG), dono da Iberia e da British Airways, foi o único candidato a abandonar o processo, justificando a desistência com a prioridade atribuída a outras oportunidades estratégicas e com o facto de o modelo português prever apenas a venda de uma participação minoritária. Atualmente, restam duas propostas concorrentes: a Air France-KLM, que destaca a experiência na relação com acionistas estatais e a sua estratégia multi-hub, e a Lufthansa, que defende o crescimento no mercado brasileiro, a expansão do hub de Lisboa e o reforço da operação no Porto, admitindo adquirir uma participação minoritária mas pretendendo assegurar influência na gestão executiva.
O Governo português exige garantias quanto à manutenção da marca TAP, da sede em Portugal, do hub de Lisboa e de rotas consideradas estratégicas. A privatização não abrange as participações nos setores do handling e do catering, nem os ativos imobiliários conhecidos como "reduto TAP". O executivo mantém ainda a possibilidade de cancelar o processo em qualquer fase, sem direito a indemnização para os interessados, caso considere que as propostas não salvaguardam o interesse estratégico do país.




