O líder do Chega, André Ventura, decidiu adiar por um dia a decisão final sobre uma moção de censura ao Governo, na sequência do caso que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em declarações na Assembleia da República, após reunir a direção nacional e a bancada parlamentar do partido, Ventura disse que o Chega "ainda não tomou nenhuma decisão" sobre a moção que tinha prometido apresentar caso Luís Montenegro não demitasse Luís Neves.
Ventura criticou a "arrogância" do ministro e confirmou ter falado com o Presidente da República, António José Seguro, mas recusou revelar o teor da conversa. O líder do Chega classificou o discurso mais recente de Luís Neves como "impressionante, inenarrável, inqualificável".
Já Luís Neves, que falava esta manhã numa conferência de imprensa na ilha da Madeira, recusou as acusações de que tem sido alvo, classificando-as de mentiras, e garantiu que vai cumprir o mandato até ao fim, afirmando: "Podem continuar a gritar, vou continuar a governar".
O secretary-geral do PS, José Luís Carneiro, que falou à margem de um jantar em Maputo com empresários portugueses e moçambicanos, alertou que o caso está a "degradar a autoridade política" do Estado e que o primeiroministro não deve dar razões para permitir os "efeitos pirotécnicos" do Chega. José Luís Carneiro lembrou que transmitiu o seu parecer a Montenegro no dia 29 de julho e que a responsabilidade pelo processo é exclusivamente do primeiro‑ministro.




![“Apesar de poucas vezes ter visto uma campanha tão agressiva contra um ministro, acho que o tom [de Luís Neves] e o lugar foram errados”](https://www.portugal-news.today/api/images/990e4acab1fc8df8eb584b3cd62b9736d653c8a21dd48d30c74b7ed72dd02b12.webp)