Trinta anos após o homicídio do rapper Tupac Shakur, um júri considerou Duane Davis culpado de homicídio qualificado com uso de arma letal. O veredicto foi conhecido em 31 de agosto, depois de os jurados precisarem de apenas algumas horas para chegar a uma decisão. Este caso marca a primeira vez que alguém é considerado responsável pela morte de uma das figuras mais influentes da música, que tinha apenas 25 anos quando morreu.
Duane Davis, antigo membro dos South Side Compton Crips de Los Angeles, era apontado pela acusação como uma figura com autoridade dentro do gangue. Segundo a tese apresentada em tribunal, o homicídio resultou de uma retaliação por uma agressão cometida horas antes dos disparos, quando Tupac Shakur participou no espancamento de Orlando Anderson, sobrinho de Davis. O procurador Binu Palal defendeu que Davis conseguiu a arma, organizou o grupo e participou na perseguição ao rapper.
Na noite de 7 de setembro de 1996, Tupac seguia de carro em Las Vegas após ter assistido a um combate de boxeo de Mike Tyson, quando foram efetuados vários disparos a partir de um Cadillac branco. O rapper ficou gravemente ferido e morreu seis dias depois. Um dos elementos centrais do processo foram as próprias declarações de Davis ao longo dos anos, incluindo um livro de memórias publicado em 2019 onde afirmou que seguia no banco do passageiro e que passou a arma aos ocupantes do banco traseiro. Estas declarações acabaram por desempenhar um papel importante na reabertura do caso, levando à sua detenção em setembro de 2023.
Durante o julgamento, a defesa argumentou que não existiam provas materiais que colocassem Davis no local do crime, salientando que nem o Cadillac branco nem a arma utilizada foram encontrados. Davis declarou-se inocente e anunciou que pretende recorrer da decisão. A sentença está prevista para 13 de outubro, podendo o antigo membro dos Crips enfrentar prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Ao longo destas três décadas, o caso gerou mais de 30 documentários, séries e especiais televisivos, tornando-se num dos crimes mais escrutinados da história da música.




