Carla Villa é uma italiana de 101 anos que completará 102 anos no próximo dia 28 de outubro. Vive há 99 anos na mesma casa familiar na Via San Marco, em Milão, para onde se mudou quando tinha dois anos. No rés-do-chão do edifício funcionava a Drogaria Villa, aberta pelo seu pai Luigi. Carla foi mãe solteira em 1967, tendo decidido criar o filho Thomas sem a presença do pai, que conheceu no Jamaica Bar, um ponto de encontro de artistas em Brera. Ser mãe solteira implicava enfrentar fortes preconceitos sociais na época, mas a família, nomeadamente os quatro irmãos, apoiou-a.
Um dos momentos mais dolorosos da sua vida foi a morte do irmão Aldo, aos 22 anos, que partiu como soldado durante a Segunda Guerra Mundial e morreu na Rússia, na batalha do Don. A mãe, já doente, nunca conseguiu recuperar completamente da perda. Carla era a única rapariga entre cinco irmãos e é atualmente a última sobrevivente da família mais próxima, tendo perdido todos os irmãos.
Em 1972, Carla abriu uma loja de antiguidades que encerrou em 1990, depois de cerca de 18 anos de atividade. Anos mais tarde, já reformada e com 78 anos, recebeu um convite para substituir temporariamente uma funcionária que estava de baixa por gravidez na loja de vestidos de noiva que ocupava o mesmo espaço. Aceitou regressar ao trabalho e descreveu aquela experiência como verdadeira, mantendo-se apaixonada pela moda que sempre fez parte da sua vida.
Aos 101 anos, Carla enfrenta algumas dificuldades de mobilidade e uma deterioração da visão, dispondo do apoio de cuidadoras financiadas pelo município e do acompanhamento do filho Thomas. Continua a interessar-se pela moda e pela atualidade, tendo desenhado os próprios vestidos quando era mais nova e assistido à reabertura do Teatro alla Scala depois da guerra com um vestido concebido por si.




