A cidade de Quarteira no Algarve registou este verão uma redução significativa da procura por parte de turistas portugueses, com os concessionários de praia a reportarem menor afluência de banhistas. Nélson Guerreiro, responsável pela concessão Praia Azul e representante dos concessionários de Quarteira, descreveu a temporada como "um verão um pouco mais fraco com menos afluência de banhistas". Armação de Pêra, Praia da Rocha e Monte Gordo foram igualmente apontadas entre as localidades mais afetadas pela diminuição do poder de compra dos turistas nacionais.
A subida dos preços na região terá levado parte dos portugueses a procurar alternativas mais baratas ou a permanecer em casa, com impacto particularmente sentido nos negócios direcionados para consumidores com menor capacidade de despesa. João Guerreiro, presidente da Associação de Empresários de Quarteira e Vilamoura, deu como exemplo alguns empresários de alojamento local que, mesmo depois de reduzirem os preços, enfrentaram dificuldades, com quebras de vendas na ordem dos 20% na última semana de agosto.
A realidade dividiu-se, contudo, entre os vários segmentos do mercado. Enquanto o segmento médio-baixo, sobretudo dependente do mercado nacional, registou uma quebra, os negócios de luxo mantiveram uma procura elevada. Hélder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, afirmou que "quem tem os produtos mais caros esteve cheio de portugueses, nunca trabalhou como agora", acrescentando que o aeroporto de Faro registou um aumento de 5% no tráfego.
No conjunto do Algarve, a ocupação durante o pico do verão manteve-se próxima dos 90%, com a redução do número de turistas portugueses parcialmente compensada pela chegada de visitantes de outros mercados. Para setembro e outubro, os empresários estimam taxas de ocupação próximas dos 80%, com um perfil de turistas de maior poder de compra, esperando o setor terminar 2026 com uma quebra entre 1% e 2%.




