Lagos, cidade situada no Algarve, alcançou durante o século XV uma importância internacional que levou alguns a designá-la como o "centro do mundo". A sua localização junto ao oceano Atlântico permitiu-lhe assumir um papel de destaque nas primeiras viagens marítimas portuguesas, tornando-se num dos principais pontos de partida dos Descobrimentos. O porto recebia embarcações e mercadores de diferentes regiões, funcionando como ponto de ligação entre a Europa, o Atlântico e os territórios que começavam a ser explorados pelos navegadores portugueses.
O Infante D. Henrique, nascido no Porto em 1394, desempenhou um papel fundamental na valorização de Lagos. Embora conhecido como "o Navegador", não realizou pessoalmente as viagens, tendo antes organizado e financiado as expedições. Foi a partir desta cidade que armou várias caravelas que alcançaram a costa africana, incluindo as que partiram com Gil Eanes, navegador ligado à passagem do cabo Bojador.
A atividade marítima trouxe riqueza e movimento comercial, mas também uma vertente sombria. Durante o século XV, pessoas africanas escravizadas foram transportadas para Lagos e vendidas na cidade. O espaço atualmente conhecido como Mercado de Escravos, situado sob as arcadas da Praça Infante D. Henrique, é identificado pelo Turismo de Portugal como o local onde se realizou o primeiro mercado de escravos da Europa. O edifício atual foi construído em 1691 sobre um espaço anteriormente utilizado para esse fim. O Museu de Lagos apresenta através do núcleo da Rota da Escravatura uma perspetiva sobre a ligação da cidade ao tráfico e à exploração de pessoas escravizadas.
Lagos conserva ainda testemunhos arquitetónicos desses períodos, como as muralhas, o Castelo dos Governadores e o Forte da Ponta da Bandeira, que protegiam a cidade de ataques marítimos. A Igreja de Santo António, classificada como Monumento Nacional, foi construída no início do século XVIII e reconstruída após o terramoto de 1755. A cidade foi ainda elevada a capital do Algarve durante o reinado de D. Sebastião, mantendo esse estatuto até ao referido terramoto.




