A agência de notação financeira DBRS afirmou que Portugal, Grécia e Espanha são os países da Zona Euro menos afetados pelo aumento do custo do financiamento soberano. Num relatório que analisa nove países da moeda única, a agência canadiana refere que o impacto negativo dos custos de financiamento mais elevados é amplamente compensado por dinâmicas da dívida favoráveis, apoiadas por evolução económica e orçamental sólida.
A DBRS explica que as taxas de rendibilidade das obrigações soberanas a nível mundial aumentaram significativamente nos últimos anos devido ao aumento das necessidades de financiamento público, ao aperto quantitativo e aos prémios de risco mais elevados. A agência realizou projeções que mostram que, enquanto se prevê que as despesas com juros em França e na Bélgica aumentem 0,9 e 0,6 pontos percentuais do PIB entre 2025 e 2030, a variação é muito menos pronunciada em Espanha e Portugal (ambos +0,1 pp) e até negativa na Grécia (-0,2 pp).
A DBRS salienta que, embora os três países enfrentem custos de financiamento crescentes, prevê-se que o impacto sobre os encargos futuros com juros seja modesto, esperando-se que um forte crescimento económico e excedentes primários contribuam para uma diminuição contínua dos rácios da dívida pública em relação ao PIB. O FMI prevê que o crescimento nominal anual do PIB nestes três países atinja uma média de 4,4% entre 2026 e 2030, significativamente acima dos 3,1% projetados para os outros seis países analisados.
A agência conclui que Portugal, Grécia e Espanha beneficiam de diferenciais mais favoráveis entre as taxas de juro e o crescimento económico, e prevê que os três países registem excedentes primários ao longo do período de 2026 a 2030, reduzindo as suas necessidades futuras de financiamento. Em contrapartida, com exceção da Itália, prevê-se que todos os outros países da amostra registem défices primários persistentes nos próximos anos.




