Manuel Torres, conhecido como "Galhofa", foi corredor de ciclismo na secção do SC Vianense a partir de 1961. Em 1962, participou na Volta a Portugal com 21 etapas, mas caiu na Serra do Caldeirão com uma lesão no braço e, apesar de alinhar no contrarrelógio no dia seguinte, a Federação recusou repescá-lo. Teve de abandonar para não pagar a diária. Em 1963, já depois de ter ido para França fugir à guerra, tentou novamente a Volta, mas a equipa inteira sofreu uma intoxicação alimentar por rissóis de camarão num convento durante a etapa Fafe-Guarda, e 17 elementos abandonaram a prova.
Estabeleceu-se depois em Bragança, onde não existia ciclismo organizado, pelo que o fundou. Ensinava mecânica aos garotos desmontando-lhes as bicicletas peça a peça e pintava-as todas da mesma cor para parecerem uma equipa. Do Veloclube que criou saiu o primeiro campeão nacional em 1980, e no ano seguinte o seu filho Daniel conquistou o primeiro de cinco títulos nacionais.
José Martins começou a jogar futebol aos 14 anos no Parque do Arnado, em Ponte de Lima. Um técnico do SC Braga viu-o jogar e convidou-o para experimentar no clube minhoto, onde seguiu no dia seguinte. A carreira em Braga foi interrompida duas vezes: primeiro por uma lesão grave no joelho aos 18 anos, que o levou por empréstimo ao Atlético de Valdevez, e depois pela Guerra Colonial, que o mobilizou para a Guiné durante dois anos.
Regressou aos 24 anos, já casado e com filhos, e percebeu que dificilmente deixaria de ser suplente. Escolheu trabalhar e jogar nos distritais, onde ganhava mais do que como profissional. Recorda os campos de terra cheios de pedregulhos, onde os guarda-redes ficavam todos esfolados à noite e muitas vezes não conseguiam dormir. Nenhum dos dois alcançou o profissionalismo pleno, mas ambos continuaram ligados ao desporto: Torres a formar corredores em Bragança e Martins a acompanhar os resultados do Limianos, o clube da sua terra.




