A onda de vendas de obrigações soberanas intensificou-se globalmente na terça-feira, alimentada por receios de inflação persistente. No Japão, os juros da dívida pública a dez anos atingiram 3% pela primeira vez desde 1996, enquanto na Alemanha os valores não eram tão elevados desde 2011. No Reino Unido, os títulos a 30 anos chegaram ao nível mais alto desde 1998. Este movimento arrastou Wall Street para terreno negativo, com o Dow Jones a recuar 0,49% para 52.926,9 pontos, o S&P 500 a cair 0,68% para 7.633,99 pontos e o Nasdaq a perder 1,34% para 26.017,3 pontos.
Os analistas do BCP associam esta correção à perspetiva de novas subidas de juros por parte dos principais bancos centrais. As tensões no Médio Oriente empurraram os preços do petróleo em alta, com o Brent a subir 2,22% para 92,5 dólares e o WTI a avançar 2,67% para 88,95 dólares. Na Zona Euro, a inflação acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, aumentando a probabilidade de subidas de juros pelo BCE já em setembro.
As yields da dívida soberana refletem esta expectativa: a yield do Tesouro norte-americano a dez anos subiu para 4,78%, o nível intradiário mais elevado desde janeiro de 2025, enquanto a taxa a 30 anos avançou para 5,27%, próxima de máximos de várias décadas. Um indicador global da Bloomberg está a atingir o nível mais elevado desde 2008. As declarações do presidente da Reserva Federal em Jackson Hole reforçaram a tese de compromisso em trazer a inflação de volta à meta dos 2%.
Wall Street entra assim em setembro — historicamente o mês mais fraco do ano para as ações — depois de ter fechado agosto com ganhos, embora o S&P 500 já mostrasse sinais de perda de fôlego no final do verão. O dia ficou marcado nos EUA pela divulgação do relatório JOLTS de ofertas de emprego, o primeiro de uma série de indicadores do mercado de trabalho esta semana, que culmina na sexta-feira com o relatório mensal de emprego.




