O Ministério das Finanças de Portugal prevê um agravamento significativo dos encargos com os juros da dívida pública em 2027, com um aumento de cerca de 776 milhões de euros em relação ao ano anterior. Esta fatura deverá ultrapassar os sete mil milhões de euros só em juros no próximo ano, depois de ter atingido seis mil milhões em 2025 e 6,3 mil milhões em 2026. O ministro Joaquim Miranda Sarmento terá de apresentar a proposta orçamental dentro de mês e meio, e estes encargos representam menos verbas disponíveis para o Orçamento do Estado.
Esta tendência de aumento dos juros inverteu uma fase de anos em que o baixo custo de financiamento permitiu a Portugal poupar dinheiro. A reversão começou em 2023, resultado do aperto financeiro do banco central europeu para controlar a inflação que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. O aumento dos encargos com juros da dívida equivale aproximadamente ao aumento de despesa que o Governo espera ter com a atualização regular das pensões, cerca de 824 milhões de euros.
A guerra no Irão está a pressionar novamente os mercados obrigacionistas em todo o mundo, com expectativas de agravamento das taxas diretoras para controlar a inflação pressionada pela subida dos preços da energia. O Banco Central Europeu já subiu os juros em junho e voltou a fazê-lo no início de setembro, com os analistas a preverem mais um aumento de 25 pontos base até ao final do ano. No caso de Portugal, a yield das Obrigações do Tesouro a 20 anos escalou para máximos de quase uma década.
A dívida pública portuguesa atingiu os 93% do Produto Interno Bruto em junho, agravando-se em relação ao final do ano passado. O primeiro-ministro Luís Montenegro reafirmou o objetivo de reduzir a dívida para 87,5% do PIB até ao final deste ano, declarando que o Governo pretende surpreender positivamente através do crescimento da economia e do saldo orçamental.




