A Cáritas do Nepal iniciou a distribuição de refeições e bens de primeira necessidade a milhares de desalojados pelas cheias repentinas que atingiram o país na manhã de 26 de agosto, junto à fronteira com o Tibete. A água desceu pelo rio Bhote Koshi a partir do Tibete, devastando mercados, povoações e infraestruturas vitais nas zonas fronteiriças de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi. A catástrofe natural teve origem no colapso de um glaciar que provocou um evento sísmico de magnitude 5,2 e desencadeou as enxurradas violentas nas zonas de elevada altitude.
As autoridades nepalesas e chinesas contabilizaram mais de mil mortos e procuram ainda quase quatro mil desaparecidos, incluindo quatro cidadãos portugueses sinalizados pelo Governo em Lisboa. As prioridades imediatas identificadas incluem alimentos, água potável, abrigo de emergência, cobertores, colchões, produtos de higiene, iluminação e cuidados de saúde, sendo também urgentemente necessária maior capacidade médica e apoio psicossocial.
A Cáritas respondeu à emergência com a instalação de mais de meia centena de cozinhas comunitárias, assegurando provisões a 300 famílias afetadas para um período de 15 dias. Uma parceria com a Catholic Relief Services canalizou um financiamento de 500 mil dólares para fornecer abrigos, kits de higiene e sistemas de iluminação solar a mil agregados familiares. A Igreja Católica enviou ainda medicamentos avaliados em quase três mil euros para o posto de saúde de Gareni e prevê a transferência de apoio financeiro direto para 750 famílias gravemente vulneráveis.
A possibilidade de novas inundações continua a ser motivo de preocupação, exigindo monitorização contínua, alertas precoces e preparação para as comunidades a jusante. A destruição das vias rodoviárias e da rede elétrica dificulta as operações de resgate nas comunidades isoladas, obrigando as equipas no terreno a monitorizar o risco constante de novas cheias.




